Talvez alguns discordem do que afirmarei a seguir. Não há, no mundo da balada, exército de um homem só. A guerra não existe quando se está sem companheiros.
É até normal que os comparsas sigam sozinhos para a arena de batalha e se encontrem por lá, no sagrado solo da balada, para que possam farrear durante a noite. Mas não há aquele que, desprovido da companhia dos amigos, encare a guerra com prazer. A solidão é a morte do guerreiro. Sem ter com quem compartilhar suas conquistas, rir das derrotas e foras, falar mal das feias e brindar a todo instante, o homem definha. Perde a alegria e não consegue mais ver tanta graça no que parecia tão bacana antes.
Você nunca achará apenas o último dos moicanos. Ou encontra o penúltimo e o último juntos, ou não encontra mais nenhum. Quando os amigos mais próximos, os da turma, começam a namorar, casar, restam duas opções ao que permanece solteiro: Arrumar uma namorada ou arrumar amigos mais novos e com novo fôlego. De uma maneira não planejada, acabei conhecendo outros amigos antes de ser o remanescente de uma turma de combatentes, com os quais, aliás, dei muita risada e aprendi alguma coisa. Quando chegar a hora de parar - e um dia ela chegará - eu saberei. Até lá, que os deuses estejam comigo e com meus nobres colegas.
3 comentários:
E aí, figurinha? Esqueceu de falar da fase com os amigos descasados que voltam para a balada. Ou seja, mesmo o último dos solteiros terá a companhia dos que voltam a ficar solteiros...
Vê se aparece mais... você faz falta na balada dos casados também. BEijos, Angela
Bah, uma vez um psicologo me orientou a sair sozinho, pois estava com o mesmo problema, todos namorando e tal.
Até que o resultado foi produtivo, mas o que fazer nas horas que se está sozinho no balcao de um bar? É bem constrangedor acima de tudo
Estimada Ângela,
de fato parece sempre haver um solteiro (ou recém separado) por perto. Mas há períodos em que, ainda que por pouco tempo, o sujeito pode ficar sozinho...é uma hora de reflexão e de grande perigo para o guerreiro. Já testemunhei a queda de valorosos homens, embuídos da certeza de que os casamentos que os cercavam eram sinais do criador. Ordens para que baixassem as espadas.
Caro Athayde,
estar sozinho no bar - ciente de que nenhum amigo virá encontrá-lo -é uma das situações mais difíceis para o guerreiro. Sem ter com quem brindar, para quem contar histórias, o homem perde sua alegria. Triste espetáculo, que poucos conseguem superar. Mas há quem o faça.
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