quarta-feira, 23 de abril de 2008

O MITO DO CAVALEIRO SOLITÁRIO

Talvez alguns discordem do que afirmarei a seguir.
Não há, no mundo da balada, exército de um homem só. A guerra não existe quando se está sem companheiros.
É até normal que os comparsas sigam sozinhos para a arena de batalha e se encontrem por lá, no sagrado solo da balada, para que possam farrear durante a noite. Mas não há aquele que, desprovido da companhia dos amigos, encare a guerra com prazer. A solidão é a morte do guerreiro. Sem ter com quem compartilhar suas conquistas, rir das derrotas e foras, falar mal das feias e brindar a todo instante, o homem definha. Perde a alegria e não consegue mais ver tanta graça no que parecia tão bacana antes.

Você nunca achará apenas o último dos moicanos. Ou encontra o penúltimo e o último juntos, ou não encontra mais nenhum. Quando os amigos mais próximos, os da turma, começam a namorar, casar, restam duas opções ao que permanece solteiro: Arrumar uma namorada ou arrumar amigos mais novos e com novo fôlego. De uma maneira não planejada, acabei conhecendo outros amigos antes de ser o remanescente de uma turma de combatentes, com os quais, aliás, dei muita risada e aprendi alguma coisa. Quando chegar a hora de parar - e um dia ela chegará - eu saberei. Até lá, que os deuses estejam comigo e com meus nobres colegas.

3 comentários:

Anônimo disse...

E aí, figurinha? Esqueceu de falar da fase com os amigos descasados que voltam para a balada. Ou seja, mesmo o último dos solteiros terá a companhia dos que voltam a ficar solteiros...
Vê se aparece mais... você faz falta na balada dos casados também. BEijos, Angela

Anônimo disse...

Bah, uma vez um psicologo me orientou a sair sozinho, pois estava com o mesmo problema, todos namorando e tal.

Até que o resultado foi produtivo, mas o que fazer nas horas que se está sozinho no balcao de um bar? É bem constrangedor acima de tudo

Mr.Thirty disse...

Estimada Ângela,
de fato parece sempre haver um solteiro (ou recém separado) por perto. Mas há períodos em que, ainda que por pouco tempo, o sujeito pode ficar sozinho...é uma hora de reflexão e de grande perigo para o guerreiro. Já testemunhei a queda de valorosos homens, embuídos da certeza de que os casamentos que os cercavam eram sinais do criador. Ordens para que baixassem as espadas.

Caro Athayde,
estar sozinho no bar - ciente de que nenhum amigo virá encontrá-lo -é uma das situações mais difíceis para o guerreiro. Sem ter com quem brindar, para quem contar histórias, o homem perde sua alegria. Triste espetáculo, que poucos conseguem superar. Mas há quem o faça.